Você conhece a expressão onboarding?
Outro dia usando uma expressão estrangeira em sala de aula, uma aluna questionou: “não sei porque esse uso excessivo de termo estrangeiros”? Precisei explicar que o uso não era excessivo, mas sim necessário para aquele contexto e busquei esclarecer sobre o motivo.
Os termos são usados pois grande parte dos conceitos que trabalhamos em sala e nos demais ambientes de trabalho e estudo são originais de outros países, o papel do líder seja ele um gestor, professor, diretor, é democratizar os termos com o cuidado de explicitar os significados e mais que isso a aplicabilidade. Ocorre que assim como onboarding outras expressões são usadas deliberadamente, mas nem sempre traduzidas de forma literal para que os envolvidos possam de fato conceber a razão e se envolver de forma genuína nos processos.
Dito isso vamos por partes, onboarding significa integração, no ambiente corporativo precisa ser feita de forma estratégica tanto para novos colaboradores como para aqueles que mudam de cargo ou função. É imprescindível salientar que a cultura e os processos são essenciais para que uma integração seja realizada de forma efetiva. Logo, não adianta aprender sobre as melhores práticas de integração se a empresa que está inserido considerar processos perda de tempo ou não investir forte na disseminação e alinhamento dos valores para reforçar a cultura.
Conseguir descrever de forma clara objetiva e sem margem para o juízo de valor a organização os sistemas e os métodos de uma empresa é determinante para que a integração seja um sucesso. Nesse sentido, defendo que a área de gestão de pessoas desempenha o papel de guardiã da estratégia corporativa. Visto que os processos de recrutamento e seleção de novatos bem como os internos passam por essa área.
É comum, mas não deveria ser normal novatos perdidos nos seus primeiros dias de trabalho, frustrados e sem saber para quem se reportar quando possuem dúvidas inerentes tanto a sua função como ao suas atividades de rotina, essa realidade está atrelada a falta de valorização e documentação do capital intelectual corporativo. Colaboradores que possuem muito conhecimento empírico acabam melhorando os processos e não oficializam as boas práticas para os demais, e um dos motivos disso acontecer é a falta do Gestor de pessoas como guardião da estratégia corporativa.
Logo, os processos melhorados pela prática precisam ter respaldo de um fluxo constante de aprimoramento, sendo mapeados e registrados, dessa forma a integração gera a melhoria contínua e valorização do capital intelectual interno da empresa. Negligenciar isso pode acarretar custos altos para empresa, estes atrelados a alta rotatividade, treinamentos etc.
A dúvida de um novato pode ser o que sua empresa precisava para aprimorar procedimentos que estavam sendo realizados de forma lenta e onerosa pelo simples fato de as pessoas estarem habituadas a rotina sem questionamentos.
Por regra um onboarding pode durar até 90 dias sendo postergado para casos de cargos com funções mais complexas, todavia na prática empresas que não enxergam o valor de uma integração como algo favorável no curto, médio e longo prazo, instauram onboarding de 3 dias, e pasmem, considerando pesquisas que realizo in loco tanto em sala de aula como nas empresas durante consultorias e treinamentos já escutei relatos sobre integração que duram apenas metade do expediente de trabalho.
Urge a necessidade de repensarmos onboarding no ambiente corporativo, você profissional de Gestão de pessoas, assuma o posto que é seu e seja guardião da estratégia corporativa.