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A polarização política e o ambiente corporativo

Os ânimos estão acirrados, questões políticas, sociais, financeiras são tratadas pelo viés da ofensa do indivíduo, a polarização política é uma realidade no mundo, no Brasil, no almoço de domingo em família, nas mesas de bares com os amigos e nas empresas não iria ser diferente. E aqui trago o questionamento: como tratar a polarização política no ambiente corporativo?

Empresas são subsistemas

Entender que as empresas são subsistemas antecipa uma postura necessária para que possamos nos resguardar e mapear o comportamento humano de forma macro. Assim, reconhecer que a proibição da abordagem desse assunto não é o melhor caminho auxilia bastante no trato de questões dessa magnitude, afinal vivemos num País democrático.

Portanto, o letramento político social precisa ser abordado e discutido de forma didática, imparcial e não impositiva, cabe as lideranças serem exemplos, e entenderem que suas inclinações políticas não podem ser impostas como juízo de valor tão pouco fazer uso do poder de fala numa reunião, por exemplo, para desabafar ou criticar ainda que em tom descontraído. A hierarquia compromete a capacidade de reflexão das diferentes partes podendo assim gerar desconforto para aqueles que possuem um pensamento ou posicionamento diferente dos seus líderes.

Podemos compreender sem precisar concordar

A máxima da compreensão ainda que não exista concordância precisa ser mais que uma mera frase de impacto, compreender está nos detalhes na defesa do outro de expor o que pensa, da conversa empática e do respeito mútuo, quando os colaboradores são instigados a conversarem sobre assuntos melindrosos num ambiente seguro a empresa promove sua postura assertiva.

Tornou-se comum, mas não deveria ser normalizado discussões políticas terem uma abordagem quase que clubista, as pessoas passaram a defender seus ideais de forma a colocar de lado o principal que é nossa capacidade de relacionamento com pessoas que pensam diferente.

Para respeitar e conviver, não precisamos ser iguais em pensamento, em origem ou interesses, mas sim na esfera básica de compreender o direito do outro de se expressar.

 

 

 E nesse ponto novamente reforçando o papel da empresa como um subsistema tem, portanto, papel de elucidar sobre quais tipos de expressões que parecem inocentes e meras opiniões acabem sendo crime, temos legislação e esta precisa ser respeitada, seguida, estudada e compreendida.

A área de gestão de pessoas tem responsabilidade como mediadora de conflitos de toda ordem no ambiente corporativo

Dito isso não existe a possiblidade do Gestor se eximir dessa pauta, abordar, tratar e tentar mitigar conflitos generalizados é essencial. Dessa forma, atualizar o manual de boas práticas de convivência na empresa é uma ação efetiva, e pode ter maior impacto quando segue um calendário de capacitação, leitura, discussão e reflexão.

Sempre que contratar um profissional para realizar treinamentos na empresa lembrar de brifar sobre a importância do discurso não viciado, quando a empresa tem suas diretrizes claras diminui a chance de contratações erradas tanto para serviços pontuais como palestras, treinamentos, workshops como para consultorias.

Em nenhum momento a postura da empresa pode ser de permissividade quando os interesses do indivíduo estiverem sobrepondo os valores do coletivo.